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Engenheiros alertam sobre o perigo de construções na Ilha Grande

Atualizado em 15 de janeiro de 2010 às 19:59hs

Angra dos Reis/RJ - Especialistas que há muitos anos monitoram a Ilha Grande, no litoral sul do Rio, sobrevoaram a área e fizeram alertas a quem constrói por lá. A região ainda está muito instável.

A região toda ainda é muito instável e, mesmo que a vegetação permaneça intocada, é alto o risco de deslizamentos, dizem os engenheiros.

Os professores de pós-graduação de engenharia de solo da Universidade Federal do Rio acompanham a situação das encostas no litoral sul do estado há mais de 30 anos. No último dia 08/01 (sexta-feira), sobrevoaram pela primeira vez a área dos desabamentos. No morro da Carioca, no centro de Angra dos Reis, morreram 21 pessoas.

"O ideal é que essa área não fosse ocupada da maneira que esta sendo ocupada, totalmente espontânea, sem qualquer estudo", diz o professor da Coppeuf-RJ Maurício Erlich.

São dezenas de pontos onde a terra deslizou. Chegando à Enseada do Bananal, na Ilha Grande, onde houve a maior tragédia, o professor da Coppeuf-RJ Willy Lacerda avalia a situação. "A encosta é quase vertical, provavelmente começou lá o escorregamento e a terra ao descer vai sobrecarregando a camada de terra abaixo e vai piorando a situação", explicou.

No ponto da Costa Verde do Rio em que a serra do mar encosta no litoral e invade o oceano, formando as ilhas da baía de Ilha Grande, é que está o perigo, porque toda a área, do ponto de vista geológico, ainda esta em formação.

"Me chama atenção também que existem várias marcas de deslizamento anteriores, ou seja, o que ocorreu agora é só uma repetição do que é frequente ocorrer na região", afirma a professora do Instituto de Geociências/UFTJ Ana Luiza Coelho Netto.

Os professores dizem que o homem é que precisa se adaptar a esta região onde a terra ainda está em movimento. No meio do caminho, são abordados pelo presidente da associação das pousadas, Kyoshi Nakawashi. Todas estão interditadas.

"Quais são as áreas de riscos aqui do Bananal e por que aquilo veio abaixo porque não houve nenhuma ação humana? Aquilo estava intacto, a floresta", pergunta Nakawashi.

"Você poderia ter passado uma vida inteira aqui sem problema, mas é uma área potencial de risco", esclarece o professor Maurício Erlich.

"É possível construir em segurança nessas condições desde que você faça o mapeamento de risco que vai delimitar as áreas que tem alto potencial de risco e áreas com médio potencial de risco como uma mais avançada no mar, que é fruto de escorregamentos muito antigos que já esta mais estabilizada", diz Lacerda.

Fonte: Site de notícias G1

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