Atualizado em 09 de março de 2010 às 22:04hs
Rio de Janeiro/RJ - A Polícia Civil do Rio começou a investigar, na terça-feira (09/03), o surgimento de mais de quatro toneladas de peixes mortos no Canal do Cunha, na Baía de Guanabara. A Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente vai apurar se houve crime ambiental.
A Secretaria estadual de Meio Ambiente afirmou que as sardinhas foram descartadas por traineiras de pesca, o que é proibido.
Segundo pescadores, as sardinhas que apareceram às margens da Linha Vermelha não possuíam valor comercial e costumam ser descartadas quando caem na rede. Técnicos do Instituto do Ambiente (Inea) fizeram uma visita no local e comprovaram que os peixes estavam em processo de decomposição.
"Os pescadores normalmente trabalham à noite ou de madrugada. Mesmo colocando no convés, até chegar em terra nas suas colônias, o peixe já está quase podre. E até colocar num lugar na comunidade para depois a Comlurb poder retirar, não tem como. Vai ser um cheiro insuportável e os moradores não vão aceitar que esse tipo de coisa aconteça", disse José Luis Ferreira, da colônia de pescadores.
No entanto, de acordo com a legislação ambiental, os pescadores só podem descartar peixes em alto mar. A Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente já investiga o caso: "O pescador talvez não tenha informação do teor, da gravidade, das penas em relação aos crimes ambientais. É crime sim, e tem uma pena de prisão de um a três anos", disse a delegada Juliana Amorim.
Inevitável
O Inea informou que não teve como evitar o problema: "É importante que a população denuncie rápido para que a gente possa chegar ao ponto de emissão o mais rápido possível e constatar o flagrante desse tipo de coisa", afirmou Luiz Firmino, presidente do Inea.
A gerente de Qualidade Ambiental do Inea, Fátima Soares, acredita que os peixes foram jogados no Canal do Cunha no sábado (06/03), e que as mudanças de maré devem ter levado o cardume a se concentrar nas margens do canal. Os técnicos do Inea descartaram a hipótese de contaminação para a morte dos peixes.
"Os peixes são todos da mesma espécie, sardinha da boca torta, que não têm valor comercial. Além disso, já estão em processo de decomposição, o que indica que o descarte foi feito há pelo menos dois dias e, possivelmente, em local próximo na baía de Guanabara. E as mudanças de maré é que devem ter levado a essa concentração no canal", explicou a gerente.
Os agentes do Inea recolheram amostras da água do Canal do Cunha para testes. A Secretaria de Meio Ambiente informou que realiza trabalhos de descontaminação da água na região onde os peixes mortos foram encontrados.
Fonte: Site de notícias G1